O papel do Analista de Negócios na Agilidade

Em junho passado, aconteceu, em São Paulo, o BA DAY 2018  com o tema Agilidade. O evento, promovido pelo capítulo de São Paulo do IIBA contou com especialistas compartilhando suas experiências na agilidade sob o ponto de vista da Análise de Negócios. Não pude participar do evento, mas recebi alguns materiais que me trouxeram algumas reflexões importantes.

Dentre os especialistas convidados, estava Ricardo Peters, que atua como gerente de projetos em uma empresa de consultoria de TI e já foi presidente do capítulo de Brasília do IIBA. Ele palestrou sobre Critérios de Aceitação e respondeu uma pequena entrevista antes do evento que pode ser acessada AQUI.

Um dos fatores apontados por ele como uma das maiores dificuldades em aplicar conceitos ágeis  nas organizações foi a resistência das pessoas, esta é uma situação que eu também enfatizo sempre que falo sobre o assunto, devido a alta incidência deste problema. Muitas vezes, causada pelo medo de não ser mais necessário na empresa, a resistência é um fator que todo agente de mudança irá enfrentar no seu dia-a-dia. Tenho trabalhado com pessoas que estão tendo seu primeiro contato com a agilidade e ainda não confiam na forma como as coisas são conduzidas, fazendo com que a resistência seja muito grande.

Dentre os principais afetados pela mudança de paradigma, estão os analistas de negócios. Muitos tem receios de ser o fim da carreira por acreditarem em conceitos deturpados de que a análise de negócios não tem mais valor em um modelo ágil, quando na verdade, mais do que nunca, a análise de negócios é essencial na busca pela eficácia dos processos ágeis. Entender o que realmente entregará valor para o cliente e onde este cliente quer chegar dará um excelente ritmo em um time ágil. O analista de negócio poderá atuar de muitas maneiras em uma empresa que adota a agilidade.

Uma das formas mais comuns e que eu mesma já atuei foi como membro do time de desenvolvimento. Nessa posição o analista de negócios, utiliza seus conhecimentos em todas as áreas da análise de negócios, para, não só, apoiar o P.O. tanto no refinamento quanto na identificação de novas histórias e critérios de aceitação, como também auxiliar os programadores, garantindo o perfeito alinhamento no time. Apesar de ser uma posição controversa, devido a interpretação, equivocada, de que um time de desenvolvimento é formado apenas por programadores, eu considero uma das formas de atuação do analista de negócios que mais traz resultados. O analista, como membro do time, analisa o estado atual e propõe soluções, recomendando a mais adequada para que se chegue ao estado futuro desejado. Além disso, um analista dentro do time, garante a fluidez das informações entre os demais membros e rapidez na preparação de um novo membro do time.

Outra forma bastante comum, e muito produtiva, de atuação de um analista de negócios é na posição de Product Owner (PO). Muitas das skills de um analista de negócios são úteis para a boa gestão do produto. O conhecimento do negócio e a articulação das partes interessadas são um exemplo disso.  Um PO com experiência como analista de negócios, terá mais facilidade em manter um backlog organizado, adequadamente priorizado, continuamente refinado e alinhado aos propósitos do negócio, além de ter as habilidades necessárias para definir excelentes critérios de aceitação, que mitigarão o risco de dúvidas ou mal entendidos comprometerem o resultado do time. Até mesmo o planejamento das releases, será muito melhor executado por um PO que domine as áreas de análise da estratégia e gerenciamento do ciclo de vida dos requisitos.

Também é bastante comum encontrar o analista de negócios diretamente nas áreas de negócio, atuando junto aos POs dos times. É uma posição que sempre existiu e sempre trouxe bons resultados. O analista, aqui, foca na estratégia da empresa e analisa as necessidades e mudanças necessárias para que a organização atinja seus objetivos. Muitas vezes, para atingir um objetivo, serão necessárias mudanças e melhorias nos produtos existentes ou até mesmo a criação de novos produtos e é aí que o analista faz a interface com os POs. Já ouvi em muitas empresas, esse analista de negócio ser chamado de PO de Negócios, enquanto que os demais POs são denominados POs de TI. Outra denominação comum é chamá-lo de PO dos POs ou simplesmente PM (Prouct Manager). Seja qual for a denominação dada a esse papel, um analista de negócios, atuando dessa forma, tem grande visibilidade e muita possibilidade de crescimento na empresa em que atua.

Além dessas formas, existe uma outra situação bastante comum, principalmente em empresas de consultoria que possuem o time de desenvolvimento trabalhando fisicamente distante do cliente, onde o analista atua como um representante do PO no time. Isto costuma ser necessário para garantir que, mesmo não tendo o PO próximo ao time, as estratégias do negócio e a gestão do backlog sejam presentes no dia a dia do time de desenvolvimento. É uma estratégia útil, porém não descarta a necessidade do envolvimento do PO com o time, ele continua tendo que, sempre que possível, participar das cerimônias e responder as dúvidas do time.

Com isso, fica claro que há muito espaço para a análise de negócios em empresas que adotaram gestão ágil de projetos. Espero que cada vez mais analistas de negócios entendam sua importância na transformação ágil e se consolidem como líderes e agentes de mudança nas organizações ágeis.

 

Não seja vítima do mercado de trabalho

Certa vez uma conversa sobre agilidade resultou numa excelente reflexão para mim. Um sábio amigo me disse que reconhece facilmente quando uma pessoa está querendo ou precisando de recolocação. Como ele faz isso? Muito simples: imaginem uma pessoa que não é ativa nas comunidades locais e grupos de discussões, não tem o hábito de curtir ou compartilhar  nada referente a seus interesses profissionais. De repente essa pessoa começa a curtir e compartilhar publicações e até ir a um evento ou outro. Não demora muito até que essa pessoa o procure dizendo que precisa de ajuda para encontrar uma nova oportunidade.

Quero deixar claro que não há problema algum em descobrir o quão enriquecedor e entusiasmante é ser ativo na comunidade dos assuntos dos nossos interesses, eu mesma recentemente decidi criar esse blog para poder compartilhar conhecimento e promover troca de experiências. A questão é deixar para fazer isso somente quando a situação ficar difícil e, pior ainda, abandonar tudo após conseguir a tal recolocação.

Muitas vezes a pessoa chegou nessa situação, exatamente por nunca ter procurado evoluir. Construir uma carreira sólida, nos dias de hoje, exige um pouco de esforço e disciplina. Então vou deixar aqui algumas dicas para apoiar o desenvolvimento de uma carreira robusta (talvez até antifrágil):

Participe das comunidades e grupos de discussão da sua área

Participar de uma comunidade nos traz muitos benefícios, adquirimos experiência e ouvimos diferentes opiniões que nos levam a refletir e até mudar de ideia a respeito de algo, aprimoramos nossas habilidades sociais e formamos uma grande rede de contatos e amigos.

Estude, estude, estude!

Estudar novos assuntos acelera nossas capacidades cognitivas, nos mantém intuitivos e predispostos a inovação. Até mesmo se aprofundar em assuntos que já conhecemos é válido, pois nos torna mais objetivos e capazes de argumentar e influenciar pessoas.

Compartilhe conhecimento!

Além de ser um ato muito bacana para ajudar iniciantes e prover material de pesquisa e inspiração para outras pessoas, compartilhar nosso conhecimento nos permite refinar nossas ideias e aprender ainda mais, afinal, uma das melhores maneiras de aprender é justamente ensinar algo às outras pessoas. Experimente isso, é incrivelmente eficaz.

Esteja por dentro das novidades e movimentações da área no além-mar

Acompanhar o mercado internacional e as tendências na área que atuamos nos traz um diferencial estratégico, afinal sabemos que muitas coisas chegam ao nosso país depois de já terem tido sucesso em outros países. Apesar dessa situação não ser assim tão bacana, podemos aproveitar que isso acontece para estarmos um passo à frente do mercado nacional.

Seja voluntário!

Pode ser num evento, numa comunidade carente, numa igreja ou escola, onde for, mas faça algo por alguém sem visar ganhar nada com isso. O trabalho voluntário é muito gratificante e com certeza colabora para nos tornarmos seres humanos melhores e, um ser humano melhor, com certeza terá uma carreira melhor (e se não tiver, saberá ser grato pelo que conquistou até então).

Assim como tudo na vida, o mercado de trabalho está em constante evolução, é essencial buscarmos qualificação e nos prepararmos para acompanhar as mudanças e, porque não, nos beneficiarmos com elas. Ninguém é obrigado a dedicar horas da sua vida ao crescimento profissional e busca pelo conhecimento, mas sabemos que podemos ficar pra trás no mundo tão acelerado que vivemos. Escuto todos os dias uma pessoa ou outra responsabilizando os outros por seu fracasso, é o chefe que não entende, o colega que não colabora, a empresa que não dá oportunidades, o mercado que é muito exigente… Mas e a responsabilidade da própria pessoa onde fica? Será que ela não tem influência nenhuma sobre isso? Entendo como nossas muitas responsabilidades nos engolem de forma a parecer impossível fazer qualquer outra atividade, mas ou priorizamos isso ou nos resignamos a aceitar o que vier.

Não seja vítima do mercado de trabalho, seja protagonista da tua carreira com iniciativa e trabalho, sim muito trabalho, não é fácil mesmo, se fosse fácil não seria um diferencial.

Transformação Ágil

Quando falamos em transformação ágil, é importante entendermos o conceito dessa expressão. Segundo o dicionário Aurélio, transformação é “Alterar, variar, tornar diferente do que era”. Já o ágil, embora muitos ainda pensem que trata-se de uma mera metodologia, está muito além de ser apenas um framework ou um jeito de desenvolver software.

Os valores e princípios ágeis foram estabelecidos em Fevereiro de 2001 por 17 profissionais com experiência em métodos leves, como eram conhecidos na época, que se reuniram em Utah e criaram o que conhecemos hoje por Manifesto Ágil. Esse manifesto apresenta um conjunto de 4 valores e 12 princípios que devem ser a base para uma transformação ágil.

Os 4 Valores Ágeis são:

  1. Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas.
  2. Software em funcionamento mais que documentação abrangente.
  3. Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos.
  4. Responder a mudanças mais que seguir um plano.

Notem que isso não significa que não faremos mais documentação ou que não existirão mais contratos e planejamento. Os valores estão dispostos em uma balança onde, o mais importante, são os indivíduos e interações, software em funcionamento, colaboração com o cliente e responder a mudanças, mas em nenhum momento diz que só vamos fazer isso. Os 12 Princípios do Ágil podem ser consultados na página do Manifesto, visite!

Mas para realizar a transformação ágil nos deparamos com muitos desafios que poderão nos deixar de cabelo em pé. Um dos maiores desafios é a tão falada cultura organizacional. Há anos trabalhamos num modelo de comando e controle, onde os indivíduos se esforçam para não serem os culpados, para garantir que a sua parte foi feita e que o seu chefe está vendo isso. Essa cultura individualista nos afasta do ideal da entrega de valor, pois ao pensarmos apenas em nossos objetivos, deixamos de trabalhar para que o grupo entregue o que é melhor para a organização como um todo. Nesse tipo de cultura, quando as coisas não dão certo, as pessoas se colocam na defensiva e acusam os outros de serem incompetentes, é aquela velha história de “eu fiz a minha parte, não posso fazer nada se os outros não fazem a parte deles”, ou pior ainda, começam a tentar justificar a sua própria inércia em relação ao grupo com a famosa frase: “eu avisei, não quiseram me ouvir”. Somos responsáveis pelo insucesso de algo quando sabendo que não dará certo, nãos fazemos nada para mudar essa situação.Outro grande desafio é a falta de conhecimento sobre o que é o ágil. Muitas pessoas acreditam que ao utilizar metodologias ágeis deixaremos de ter organização e previsibilidade. Há ainda quem acredite que desenvolvimento ágil é fazer mais rápido, quando na verdade, desenvolvimento ágil é fazer melhor, considerando sempre o valor do que estamos fazendo. Estas são apenas algumas das muitas falácias que encontramos por aí que, muitas vezes, são a principal causadora de outro grande desafio: a resistência à mudança. E como se não bastassem esses desafios, o 11º State of Agile, relatório da VersionOne, aponta que 94% das empresas utilizam alguma prática ágil, no entanto apenas 8% tem todos os times ágeis. Isso significa que em grandes organizações, precisamos aprender a conviver com mais de um processo. Todos esses desafios fazem da transformação ágil uma jornada de superação.

Apesar das dificuldades do caminho, mudar nossa forma de agir e pensar em relação ao desenvolvimento de software é cada vez mais uma obrigação. Vivemos em uma época de profundas transformações, cada vez mais precisamos estar preparados para reagir rápido as mudanças do mercado e novas necessidades, ou então perderemos espaço para as novas empresas e tecnologias disruptivas que crescem exponencialmente. A transformação ágil nos permite criar produtos mais inovadores, entregar com mais qualidade e focar no real valor do negócio. Isso tudo aumenta a satisfação da empresa, dos colaboradores e do cliente.

Precisamos estar atentos ao cenário apontado no Chaos Report do Standish Group que cita que mais de 30% dos projetos são cancelados antes de serem concluídos e que mais de 50% custam muito acima das estimativas iniciais, sendo que apenas pouco mais de 16% dos projetos são concluídos no tempo e no orçamento e ainda sim muitas vezes nem terminam com os requisitos originais. Tudo isso indica claramente que a forma antiga de conduzir projetos gera muito desperdício e não atende a dinâmica necessária para que as organizações mantenham-se competitivas. Temos ainda diversas pesquisas que demonstram que empresas ágeis crescem mais e obtêm mais lucro do que empresas tradicionais.

Com isso acho que sobram motivos para iniciarmos esse movimento agora mesmo. E, para isso, precisamos ter consciência que a transformação ágil é muito mais que a simples implantação de um método ou adoção de um framework. A transformação acontece alinhada aos valores e princípios ágeis, dando um passo de cada vez em ciclos curtos de experimentação e adaptação.

Não existe receita de bolo e cada organização tem suas particularidades, então é de suma importância analisarmos a situação atual da empresa, quais são as dores que ela sente e onde ela quer chegar, quais são seus objetivos e metas. Na maioria das organizações, precisamos trabalhar a cultura organizacional para que tenhamos um ambiente que fomente a autonomia, a confiança e a motivação, focando no empoderamento do indivíduo e não nos processos. Afinal as pessoas são a chave de tudo, ao darmos autonomia e confiarmos que farão o seu trabalho, oportunizamos o desenvolvimento de pessoas comprometidas e com propósito. Ao encontrarmos resistência, precisamos entender o motivo desse comportamento e argumentar mostrando os benefícios da mudança tanto para a organização quanto para os indivíduos. É preciso escutar as pessoas e ser presente no dia a dia delas. Lembre-se que, comprometimento, é um valor essencial para todos nós que acreditamos no ágil.

Surgirão novos papéis, novas responsabilidades, a cultura irá mudar, algumas funções poderão deixar de existir ou apenas se adaptar à nova realidade. A postura de cada um será diferente, afinal, ser ágil é ser comprometido e não apenas envolvido, é buscar a melhoria contínua, é estar aberto a novas ideias, é saber onde queremos chegar, é ter certeza de que o nosso trabalho é importante e está ajudando a empresa a obter resultados incríveis e, acima de tudo, é ter um propósito.

“Ágil é uma forma de pensar e tomar decisões que pode nos levar a atingir qualquer objetivo e superar qualquer desafio. Seu poder é ilimitado.” (Myriam Hamed Torres)

 

Esse tal Scrum

Quem não conhece nem nunca ouviu falar de Scrum deve ter ficado ausente de todas as discussões sobre desenvolvimento de software nos últimos 10 anos. O nome Scrum é uma referência a uma jogada no rugby,  onde os times se juntam para alcançar um objetivo. O Scrum foi concebido em 1995 por Jeff Sutherland e Ken Schwaber. O Jeff inclusive escreveu o livro Scrum: A Arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo, leitura obrigatória para todos que trabalham ou querem trabalhar com Scrum.

No livro ele cita os muitos problemas do método tradicional de desenvolver software, onde investimos muito tempo planejando cada detalhe de maneira que tudo pareça perfeito, mas na prática, enfrentamos inúmeros desafios que torna muito difícil senão impossível seguir aquele plano. Ele aponta o que todos nós sabemos, ou deveríamos saber, que a mudança é inevitável, então o melhor que podemos fazer é estarmos preparados para ela e adaptarmos nosso trabalho para que ela aconteça e seja bem vinda.

Sabe o PDCA? Pois é, no Scrum nós Planejamos (Plan), Fazemos (Do), Agimos (Act)  e Verificamos os resultados (Check) e o mais importante, fazemos isso regularmente garantindo que estamos sempre melhorando. Quando encontramos um erro já o corrigimos imediatamente, não é necessário, nem inteligente, esperar até nada dar certo pra ver que precisamos corrigir os erros, isso só vai agravar os erros tornando-os mais difíceis de serem corrigidos.

Os times Scrum são enxutos porém completos, tendo todos os perfis necessários para realizar uma entrega. Esse time deve ser motivado e ter autonomia para trabalhar eficazmente por um objetivo. E para termos um time assim tão motivado e eficaz, precisamos garantir que ele tenha plena capacidade de exercer suas habilidades, isso significa que não dá pra exaurir todo mundo com longas jornadas de trabalho acrescidas de horas e mais horas extras. Trabalhar além da conta nos induz a cometer erros, e erros geram retrabalho, diminuindo a produtividade do time. Lembrando que muitas vezes o trabalho excessivo ocorre devido ao mal planejamento e a definição de metas irreais. No Scrum devemos ter objetivos desafiadores, porém não impossíveis.

A grande sacada é manter um fluxo continuo e funcional. Uma forma de ter esse fluxo saudável e cumprir as metas sem horas extras é refletir sobre tudo que se faz desnecessariamente, quantos documentos, reuniões, e-mails ou procedimentos inúteis estamos produzindo. Vamos planejar apenas o que é necessário e mudar sempre que for preciso, sem apego. Por isso a priorização é tão importante em um time Scrum, uma coisa nova que tenha mais valor pode entrar no lugar daquilo que estava planejado sem problema nenhum, desde que ela exija o mesmo esforço para ser realizada.

E pra organizar todo o trabalho o Scrum conta com algumas caixas de tempo fixas que usualmente chamamos de time boxes. Abaixo teremos as principais time boxes do Scrum e um breve resumo de cada uma.

Sprint

Sprint é um período pré determinado que vai de uma a quatro semanas, sendo mais comumente utilizado o período de duas semanas, onde o trabalho é realizado visando atender uma meta. O tamanho da Sprint deve ser estabelecido e respeitado, sendo possível modificá-lo apenas para uma nova Sprint, ou seja, não tem como incluir uns dias a mais na Sprint para cumprir uma meta, pois ela já não deu certo.

Planning

A primeira atividade da Sprint é o planejamento dela, nessa reunião que deve ter duração de até 5% do tempo total da Sprint, é onde a meta deve ficar clara para todo o time, que fará a discussão técnica e realizará a estimativa de cada item que será trabalhado na Sprint.

Daily

É o momento de comunicação entre o time. Essa reunião deve ocorrer diariamente sempre no mesmo horário e local, para que todos saibam onde e quando ela vai acontecer sem precisar de nenhum convite especial. A duração não deve ultrapassar os 15 minutos e, por isso, pode ser realizada em pé. Na daily, cada membro do time fala sucintamente sobre o que realizou no dia anterior, o que realizará hoje e se há algum impedimento, sendo que todas essas questões devem ser respondidas  pensando sempre no objetivo da Sprint. Uma boa daily normalmente acontece na frente de um quadro contendo todas as tarefas do time, onde todos possam ver como está o andamento da Sprint.

Review

É o momento em que mostramos o resultado da Sprint, a ideia aqui é mostrar a coisa funcionando mesmo e não um conjunto de slides com prints de tela. Vamos ficar atentos ao manifesto ágil e entregar software em funcionamento. A Review ou Reunião de Demonstração deve ser objetiva, tendo a duração de até 2,5 % do tempo total da Sprint.

Retrospectiva

É o último time box da Sprint, é nesse momento que vai acontecer a reflexão sobre tudo o que aconteceu de bom ou de ruim numa Sprint e as ideias de como podemos melhorar para a próxima. É um dos momentos mais importantes do time, pois é através da reflexão constante que corrigimos os erros e evoluímos. O tempo de duração ideal desta cerimônia é entre 2,5 e 5% da Sprint.

Todos esses time boxes, assim como os papéis existentes no Scrum, serão detalhados em posts futuros aqui no blog. Além disso, no livro encontramos muito mais detalhes sobre tudo que falamos aqui, e também outros conceitos e exemplos bem bacanas sobre aplicação de Scrum, então recomendo fortemente a leitura dele. Também recomendo a leitura do Scrum Guide, onde há todas as informações necessárias para se trabalhar com Scrum de maneira satisfatória.

Soft Skills

Recentemente fiz uma pesquisa sobre a habilidade de resolver problemas para uma apresentação na empresa onde eu trabalho. Foi uma atividade em grupo e envolveu a pesquisa e apresentação de outras soft skills como colaboração, comunicação e organização. Isto me motivou a escrever um pouco mais sobre o que são, porque precisamos desenvolver e quais são as soft skills mais apreciadas no mercado de trabalho.

Pra começar então vamos falar sobre o que são soft skills.

Traduzindo para o nosso bom e velho português, elas são nada mais nada menos do que habilidades interpessoais, as habilidades que cada um tem para enfrentar os desafios diários, habilidades estas importantíssimas na hora de nos relacionarmos e agirmos no ambiente corporativo. Diferentemente das habilidades técnicas (hard skills) que normalmente são aplicáveis apenas em um determinado contexto, as soft skills são transferíveis para qualquer área em que a pessoa atue.

Há muitos anos, soft skills como, ética, resiliência e capacidade de tomar decisões são habilidades bastante apreciadas e requisitadas pelas empresas, porém, cada vez mais, novas aptidões são exigidas. E não somente em áreas onde a necessidade de ter boas relações interpessoais já é consolidada, como a área comercial por exemplo. Aquela ideia do profissional de TI que fica somente atrás de um computador e não precisa se comunicar com ninguém está cada vez mais distante da realidade que vemos em muitas empresas. A capacidade de trabalhar junto ao time em prol de um objetivo é a base para se obter produtividade e inovação. O profissional que deseja acompanhar o ritmo da evolução precisa desenvolver características como comunicação, pensamento criativo, liderança, trabalho em equipe, dentre outras.

E aí temos um grande problema, soft skills envolvem emoções e percepção do que as pessoas ao nosso redor estão sentindo,  são habilidades natas em muitas pessoas, mas difíceis de serem adquiridas e mensuradas, pois não são tangíveis como as habilidades técnicas. Na hora de selecionar um candidato para uma vaga, as soft skills podem ser a diferença entre um bom e um ótimo candidato, ou seja, desenvolver essas habilidades pode te colocar numa posição melhor na hora de conseguir uma nova oportunidade. Além disso, uma forma de inspirar o desenvolvimento de soft skills nas pessoas é pelo exemplo. Já percebeu como muitas vezes uma área ou departamento inteiro reflete os valores e as características do seu líder? É por isso que para cargos de liderança as soft skills são ainda mais imprescindíveis.

E quais seriam as soft skills mais importantes?

Cada situação exige uma habilidade ou conjunto de habilidades diferentes, então não há uma soft skill menos relevante ou que não mereça ser desenvolvida. Vou citar aqui as que eu tenho visto como mais essenciais e que podem fazer muita diferença em diversas áreas de atuação.

Ser um bom Comunicador

Nos comunicamos diariamente e cada vez estamos mais conectados com tudo e com todos através de inúmeros apps e dispositivos. Desde os tempos mais antigos a comunicação foi uma habilidade humana decisória para evolução. Mas a habilidade de se comunicar bem está muito além de apenas saber falar clara e concisamente. Desenvolver a comunicação é saber aplicar o discurso ao contexto e audiência de forma que seja adequado e compreensível para todos, é ter o seu trabalho devidamente documentado para que outros possam dar continuidade, é avisar antecipadamente sobre possíveis problemas, ser um bom comunicador é ser organizado e eficaz.

Trabalhar em Equipe

Uma das mais pedidas, afinal como podemos ter sucesso e atingir os objetivos da empresa se não trabalharmos bem com nossos colegas? Nenhuma habilidade técnica é suficiente para permitir que alguém trabalhe totalmente isolado, pelo menos não nas grandes organizações. Precisamos das pessoas o tempo todo, então aprender a ser colaborativo e atuar junto ao nosso time de maneira respeitosa e responsável é essencial. Isso significa que devemos pensar não só em fazer melhor o nosso trabalho, mas também em de que maneira podemos facilitar o trabalho dos outros. É valorizar as opiniões de todos, contribuir com suas próprias opiniões e dividir a culpa quando as coisas não dão certo, afinal isso é fazer parte do time.

Ser Motivado

Sabemos que nem sempre tudo são flores, nem sempre conseguimos aquela promoção, ou então aquele projeto super bacana que tinha tudo pra ser um sucesso é suspenso porque o cliente decide aguardar mais um pouco antes de iniciar algo tão impactante ou pior: o projeto incrível é reduzido a um conjunto de poucas melhorias devido a cortes no orçamento. Ser motivado nos ajuda a ver o lado bom das coisas e a ter energia para continuar lutando pelas melhores oportunidades. A positividade é uma virtude que nos leva a perseverar nos momentos mais difíceis, encontrar soluções onde parecia não existir nada para ser feito e, assim, nos permitir atingir objetivos realmente incríveis. Infelizmente é uma das características mais difíceis de serem aprendidas, se a pessoa está sempre insatisfeita e reclamando de tudo na vida vai ter muita dificuldade de não ser assim no trabalho também.

Resolver Problemas com Criatividade

A resolução de problemas é o processo de reconhecer uma dificuldade ou complicação, identificando possíveis soluções e depois implementando a melhor opção. Ter habilidade em resolver problemas é ser proativo, é não congelar diante das dificuldades, é buscar alternativas sem ter que depender sempre de uma decisão superior, essa habilidade  pode fazer uma grande diferença na sua carreira, afinal, boa parte do que fazemos trabalhando é justamente resolver problemas.A habilidade de resolver problemas está diretamente relacionada com o quão seguro está o profissional em relação ao domínio em que está atuando, mas existem muitas técnicas para aplicar e desenvolver essa soft skill, vou falar mais sobre isso em um próximo post aqui no blog.

Saber Negociar e Resolver Conflitos

Saber negociar e exercer influência sobre as pessoas é uma habilidade muito útil, principalmente para posições de liderança. Essa habilidade é, inclusive, muito indicada para que novas habilidades interpessoais sejam desenvolvidas pelas pessoas ao nosso redor, lembra que falamos sobre inspirar o desenvolvimento de soft skills através do exemplo lá no início do texto? Além do que, conflitos acontecem, saber lidar com eles de maneira empática, negociando cautelosamente com as partes envolvidas fará com que estes conflitos sejam breves e não causem maiores transtornos, beneficiando a todos.

Existem muitas outras soft skills importantes que podem e devem ser desenvolvidas e aplicadas não só profissionalmente mas também na nossa vida pessoal. Elas nos ajudam a nos preparar para obter o sucesso em nossas atividades cotidianas. Motive-se! Você já está no caminho.

 

 

O que é Análise de Negócio?

Vamos falar sobre Análise de Negócios e para isso preciso citar o BABOK – Business Analysis Body of Knowledge. Não vou me aprofundar nesse tema aqui, mas para alinhar o conhecimento de quem nunca ouviu falar desse cara ele é, como o próprio nome diz, o corpo do conhecimento da análise de negócios, nele estão reunidas as melhores práticas e técnicas para realizar análise de negócios com sucesso. Alinhado isso, podemos prosseguir falando sobre o que é análise de negócios. Segundo a terceira versão do  BABOK, análise de negócios é a prática de permitir mudanças em uma empresa definindo necessidades e recomendando soluções que entreguem valor às partes interessadas. Vamos analisar cada parte dessa definição:

 Permitir Mudanças

Transformações são necessárias, esteja preparado para mudar!

Já ouviram a célebre frase de que a única constante na vida é a mudança? Pois é, as coisas mudam o tempo todo e cada vez mudam mais rápido. Estar preparado para as mudanças, permitir que elas aconteçam é estar preparado para o futuro. Não só as organizações , mas os indivíduos, ganham muito quando refletem as mudanças, pois acompanham o ritmo da evolução e do mundo. Pra exemplificar as mudanças não vou citar os clássicos casos Kodak e Blockbuster que já foram bastante explorados sempre que o assunto é acompanhar as mudanças, vou comentar sobre um pequeno texto que li no final do ano passado que era na verdade um texto divulgação do SESI/SENAI (leia AQUI) evidenciando as mudanças e salientando a apoio que a instituição dá a inovação, ficou claro pra mim a busca da instituição em divulgar que ela está preparada para apoiar as nova indústria, muito diferente da clássica de 30 anos atrás que ainda espelhava muito dos conceitos estabelecidos na época da revolução industrial. Instituições consolidadas estão perdendo espaço para empresas com modelos de negócios disruptivos e muitas vezes até difíceis de serem acreditados (vide o case do Curto Café, no centro do Rio, onde o cliente decide quanto vale o café). Com isso a análise de negócio está perfeitamente alinhada ao ritmo da evolução do mundo.

Necessidades

São os requisitos que nos levarão ao sucesso. Nem sempre estão claras e acessíveis, a arte de identificá-las e traduzí-las da melhor maneira é que será o diferencial em um mundo cada vez mais competitivo e inovador. Não basta apenas estar preparado para a mudança, precisamos estar atentos para entender quais são as novas necessidades que surgem dessa mudança.

Entrega de Valor

Essa é a chave do sucesso, o principal objetivo de um analista de negócios. Não adianta mudarmos nem identificarmos as necessidades se não entregarmos valor. Lembrando que entrega de valor é muito mais que atender as necessidades, entregar valor é fazer o máximo com o menor custo, é trazer propostas e mudanças que otimizem os processos e visem a prosperidade da organização, priorizando as ações que trarão maior resultado e que conduzirão a organização aos seus objetivos.  É através da entrega de valor contínua que garantimos o crescimento de uma empresa. Uma boa análise de negócios avaliará as mudanças, identificará as necessidade e proporá soluções que tragam real valor as partes interessadas. Isso tudo acompanhado de um plano de implantação das mudanças necessárias buscando sempre reduzir ou tratar da melhor forma possível os impactos ocasionados pela mudança. Parece muito simples, mas na prática isso tudo exige experiência, conhecimento de técnicas e muita dedicação.

O analista de negócio deve propor soluções que maximizem o valor entregue aos stakeholders!

E notaram que citei  os benefícios para o indivíduo também e não só para as empresas? Pare e pense o quanto podemos evoluir em nossa carreira se aplicarmos a análise de negócio para entender as mudanças, identificar as necessidades e nos ajudar a alcançar nossos objetivos. A análise de negócio rompe as barreiras das organizações e vai além, trazendo valor até mesmo para o âmbito pessoal.

Em breve falarei um pouco mais sobre o BABOK e o profissional que faz a análise de negócios.

Um pouco sobre o blog

Sejam bem vindos!

Antes de iniciar o conteúdo do blog, gostaria de convidá-los a me conhecer e saber um pouco mais da minha trajetória profissional através da seção Sobre, onde vocês encontrarão também o link para o meu perfil no LinkedIn, sintam-se livre para me adicionar e participar da minha rede (networking é sempre muito importante para todos nós).

E agora que vocês já sabem um pouco sobre quem sou eu e o que eu já fiz até agora, vou contar como se deu a iniciativa de criar este blog. Há tempos tenho vontade de compartilhar informações e falar um pouco mais sobre minha área de atuação e a importância da Análise de Negócios dentro e fora da TI. Tenho conversado com muitas pessoas e iniciei um pequeno grupo de analistas para troca de informações e divulgação de eventos. Com a criação do grupo percebi que era o momento de ter um blog e falar mais sobre minhas experiências e os estudos que realizo visando crescer como profissional e como ser humano, não só na esfera da análise de negócios mas em tudo que acredito que é importante e relevante para nossa evolução.

Amo muito meu trabalho e procuro sempre dar o melhor de mim em todas as minhas atividades. Vou escrever sobre minhas experiências, eventos que participo e muito mais. Espero, com isso, ajudar quem está começando e aprender com quem já tem experiência e quiser participar das discussões.

Até mais!