Reflexões sobre o Scrum Parte 5 – Eventos

Essa é a última publicação dessa série que foi inspirada por um grupo de estudos para certificação PSM I. Quem quiser saber mais sobre como tudo isso começou leia AQUI.

Neste texto quero convidá-los a refletir sobre os eventos como um todo, quais as implicações em não realizá-los e como eles se relacionam com os pilares e valores do Scrum, pois cada um deles merece um texto exclusivo, assim como já fiz para Retrospectivas. Insisto muito nos pilares e valores porque no dia a dia, são eles que vão nos sustentar  e guiar, afinal o Scrum Guide possui apenas 20 páginas e serve exatamente ao que se propõe: um guia, ele não contém e nem ambiciona conter todas as respostas.

Conforme o guia, os eventos servem para criar regularidade e diminuir a necessidade de reuniões adicionais. Reparem que não há nada dizendo que não podem ou não devem ser feitas reuniões adicionais, elas apenas não podem ser excessivas impactando o resultado do trabalho do time. Para garantir a eficiência e bom uso do tempo, cada um dos eventos tem um determinado tempo de duração.

A Sprint, coração do Scrum, deve ter duração fixa de 1 a 4 semanas, enquanto que os demais eventos possuem duração máxima, ou seja, podem encerrar assim que seu propósito for atingido. A Sprint não deve ter o período alterado para contemplar um Backlog maior como vemos acontecer em alguns times. Aumentar uma Sprint para não ter que encerrá-la sem sucesso vai contra o pilar da transparência e não incentiva a inspeção e a adaptação, além de invalidar qualquer métrica que o time utilize. É importante lembrar que é necessário ter coragem de encarar o que não está dando certo e, em respeito a todos os evolvidos, se comprometer em melhorar.

A Sprint contém os demais eventos, que são: planejamento, reuniões diárias, revisão e retrospectiva, além do trabalho de desenvolvimento.

É muito comum ver times deixando alguns eventos de lado, principalmente a revisão da Sprint, mas o guia enfatiza que deixar de realizar essas cerimônias implica em redução da transparência e na perda de oportunidades para inspecionar e adaptar. Apesar de incomum, já conheci um time que nem sempre fazia a reunião de planejamento devido a uma situação de atividades remanescentes de Sprints anteriores que seriam o escopo para a próxima, porém, ao não realizar o planejamento, o time não terá a meta da Sprint nem saberá o que e nem como realizar o trabalho. Vale ainda lembrar que, nem sempre, o que ficou incompleto em uma Sprint passada deverá ser incorporada automaticamente em uma posterior, cabe ao Product Owner analisar e priorizar o item considerando os demais itens do Backlog do Produto.

A reunião diária tem duração de até 15 minutos e deve ser feita, conforme o próprio nome indica, diariamente. Nela os membros do Time de Desenvolvimento devem ter foco e abertura para cumprir o timebox e ter mente que é necessário inspecionar e adaptar o trabalho visando atingir a meta da Sprint. Com frequência essa reunião  é menosprezada ou reduzida a um simples conjunto de respostas automáticas sobre tarefas, dando a entender que se trata de um status report. Não realizar esse rito diariamente ou não se preocupar em atingir o objetivo proposto é um erro que impacta negativamente na efetividade de outros eventos e até mesmo no resultado do time, colocando em risco a credibilidade do time e do processo de desenvolvimento como um todo.

Com duração de até 4 horas (para uma Sprint de 4 semanas), a Revisão da Sprint  tem como objetivo inspecionar o incremento e adaptar o Backlog do Produto se necessário. Ela é a campeã em ser negligenciada, resultando em falha na comunicação com as partes interessadas e desperdício, pois o time poderá trabalhar por um longo período sem feedback, construindo um produto que não atende às expectativas.

Por fim, mas não menos importante, temos a retrospectiva da Sprint, uma reunião de no máximo 3 horas  (para uma Sprint de 4 semanas), onde o time tem a oportunidade inspecionar a si próprio e
criar um plano para melhorias a serem aplicadas na próxima Sprint. Os cinco valores: coragem, abertura, foco, comprometimento e respeito devem ser vivenciados pelo Time Scrum em todos os eventos, artefatos e papéis, porém nesse rito específico, onde as pessoas poderão refletir sobre elas próprias, suas interações, processos e ferramentas para elaborar um plano de melhoria contínua, é onde esses valores são cruciais. Não realizar essa cerimônia ou não considerar os valores do Scrum na sua condução, resulta em estagnação e descaracteriza a agilidade do timRemove featured imagee.

No último encontro dedicado ao Scrum Guide do grupo de estudos, falamos sobre os eventos e realizamos uma retrospectiva do nosso próprio trabalho enquanto grupo de estudos. Esse encontro foi organizado pela Liliane Soares e pela Cleidi Rocha.

 

 

P.S. Tivemos outros encontros para discussão de questões de prova, simulados e até mesmo um especial para um churrasco de confraternização entre os participantes.

Encerro esta série de reflexões com um profundo agradecimento a todos que participaram e compartilharam esses momentos de aprendizado. Que venham os próximos grupos de estudo!

 

 

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