O papel do Analista de Negócios na Agilidade

Em junho passado, aconteceu, em São Paulo, o BA DAY 2018  com o tema Agilidade. O evento, promovido pelo capítulo de São Paulo do IIBA contou com especialistas compartilhando suas experiências na agilidade sob o ponto de vista da Análise de Negócios. Não pude participar do evento, mas recebi alguns materiais que me trouxeram algumas reflexões importantes.

Dentre os especialistas convidados, estava Ricardo Peters, que atua como gerente de projetos em uma empresa de consultoria de TI e já foi presidente do capítulo de Brasília do IIBA. Ele palestrou sobre Critérios de Aceitação e respondeu uma pequena entrevista antes do evento que pode ser acessada AQUI.

Um dos fatores apontados por ele como uma das maiores dificuldades em aplicar conceitos ágeis  nas organizações foi a resistência das pessoas, esta é uma situação que eu também enfatizo sempre que falo sobre o assunto, devido a alta incidência deste problema. Muitas vezes, causada pelo medo de não ser mais necessário na empresa, a resistência é um fator que todo agente de mudança irá enfrentar no seu dia-a-dia. Tenho trabalhado com pessoas que estão tendo seu primeiro contato com a agilidade e ainda não confiam na forma como as coisas são conduzidas, fazendo com que a resistência seja muito grande.

Dentre os principais afetados pela mudança de paradigma, estão os analistas de negócios. Muitos tem receios de ser o fim da carreira por acreditarem em conceitos deturpados de que a análise de negócios não tem mais valor em um modelo ágil, quando na verdade, mais do que nunca, a análise de negócios é essencial na busca pela eficácia dos processos ágeis. Entender o que realmente entregará valor para o cliente e onde este cliente quer chegar dará um excelente ritmo em um time ágil. O analista de negócio poderá atuar de muitas maneiras em uma empresa que adota a agilidade.

Uma das formas mais comuns e que eu mesma já atuei foi como membro do time de desenvolvimento. Nessa posição o analista de negócios, utiliza seus conhecimentos em todas as áreas da análise de negócios, para, não só, apoiar o P.O. tanto no refinamento quanto na identificação de novas histórias e critérios de aceitação, como também auxiliar os programadores, garantindo o perfeito alinhamento no time. Apesar de ser uma posição controversa, devido a interpretação, equivocada, de que um time de desenvolvimento é formado apenas por programadores, eu considero uma das formas de atuação do analista de negócios que mais traz resultados. O analista, como membro do time, analisa o estado atual e propõe soluções, recomendando a mais adequada para que se chegue ao estado futuro desejado. Além disso, um analista dentro do time, garante a fluidez das informações entre os demais membros e rapidez na preparação de um novo membro do time.

Outra forma bastante comum, e muito produtiva, de atuação de um analista de negócios é na posição de Product Owner (PO). Muitas das skills de um analista de negócios são úteis para a boa gestão do produto. O conhecimento do negócio e a articulação das partes interessadas são um exemplo disso.  Um PO com experiência como analista de negócios, terá mais facilidade em manter um backlog organizado, adequadamente priorizado, continuamente refinado e alinhado aos propósitos do negócio, além de ter as habilidades necessárias para definir excelentes critérios de aceitação, que mitigarão o risco de dúvidas ou mal entendidos comprometerem o resultado do time. Até mesmo o planejamento das releases, será muito melhor executado por um PO que domine as áreas de análise da estratégia e gerenciamento do ciclo de vida dos requisitos.

Também é bastante comum encontrar o analista de negócios diretamente nas áreas de negócio, atuando junto aos POs dos times. É uma posição que sempre existiu e sempre trouxe bons resultados. O analista, aqui, foca na estratégia da empresa e analisa as necessidades e mudanças necessárias para que a organização atinja seus objetivos. Muitas vezes, para atingir um objetivo, serão necessárias mudanças e melhorias nos produtos existentes ou até mesmo a criação de novos produtos e é aí que o analista faz a interface com os POs. Já ouvi em muitas empresas, esse analista de negócio ser chamado de PO de Negócios, enquanto que os demais POs são denominados POs de TI. Outra denominação comum é chamá-lo de PO dos POs ou simplesmente PM (Prouct Manager). Seja qual for a denominação dada a esse papel, um analista de negócios, atuando dessa forma, tem grande visibilidade e muita possibilidade de crescimento na empresa em que atua.

Além dessas formas, existe uma outra situação bastante comum, principalmente em empresas de consultoria que possuem o time de desenvolvimento trabalhando fisicamente distante do cliente, onde o analista atua como um representante do PO no time. Isto costuma ser necessário para garantir que, mesmo não tendo o PO próximo ao time, as estratégias do negócio e a gestão do backlog sejam presentes no dia a dia do time de desenvolvimento. É uma estratégia útil, porém não descarta a necessidade do envolvimento do PO com o time, ele continua tendo que, sempre que possível, participar das cerimônias e responder as dúvidas do time.

Com isso, fica claro que há muito espaço para a análise de negócios em empresas que adotaram gestão ágil de projetos. Espero que cada vez mais analistas de negócios entendam sua importância na transformação ágil e se consolidem como líderes e agentes de mudança nas organizações ágeis.